Acontece
tantíssimas vezes
quando aperto meus seios
que,
na redondeza de suas encostas
erguem-se nos caminhos lá contidos
um desejo novo
que não se dissolve
e que a gente chama de ter um filho
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
...e os bichos pequenos iam se acalmando na medida em que lia Blanchot.
Princípio-ar
O tempo é capaz de um truque mais
estranho. Certo incidente insignificante, que ocorreu em dado momento, outrora,
esquecido, e não apenas esquecido, despercebido, eis que o curso do tempo o
traz de volta, e não como uma lembrança, mas como um fato real¹!,
que acontece de novo, num novo momento do tempo. Assim o passo que tropeça nas
pedras mal niveladas do pátio dos Guermantes é de repente - nada é mais súbito
- o mesmo passo, não "um duplo, um
eco de uma sensação passada ... mas essa própria sensação". Incidente
ínfimo, perturbador, que rasga a trama do tempo e por esse rasgão nos introduz
em outro mundo: fora do tempo, diz Proust com precipitação. Sim, afirme ele, o
tempo esta abolido, já que, numa captura real, fugidia mas irrefutável, agarro
o instante de Veneza e o Instante de Guermantes, não um passado e um presente,
mas uma mesma presença que faz coincidir, numa simultaneidade sensível,
momentos incompatíveis, separados por
todo o curso da duração. Eis portanto o tempo apagado pelo próprio
tempo; eis a morte, essa morte que é obra do tempo, suspensa, neutralizada
tomada vã e inofensiva. Que instante! Um momento "liberto da ordem do tempo", e que recria em mim "um homem liberto da ordem do
tempo".
Mas logo, por uma contradição que ele mal
percebe, de tão necessária e fecunda, Proust diz, quase por descuido, que esse
minuto fora do tempo lhe permitiu "obter,
isolar, imobilizar da duração de um raio - o que ela nunca apreende: um pouco
de tempo em estado puro". Porque essa inversão? Por que aquilo que
esta fora do tempo põe a seu dispor o tempo puro? É que, por essa simultaneidade
que fez juntarem-se realmente o passo de Veneza e o passo de Guermantes, o
então do passado e o aqui do presente, como dois agoras levados a se sobrepor,
pela conjunção desses dois presentes que abolem o tempo, Proust teve também a
experiência incomparável, única, da estase do tempo. Viver a abolição do tempo,
viver esse movimento, rápido como um "raio", pelo qual dois
instantes, infimamente separados, vêm (pouco a pouco, embora imediatamente) ao
encontro um do outro, unido-se como duas presenças que, pela metamorfose do
desejo, se identificassem, é percorre toda a realidade do tempo e,
percorrendo-a, experimentar o tempo como espaço e lugar vazio, isto é livre dos
acontecimentos que geralmente o preenchem. Tempo puro, sem acontecimentos,
vacância móvel, distância agitada, espaço interior em devir onde as estases do
tempo se dispõem numa simultaneidade fascinante, o que é tudo isso, afinal? É o
próprio tempo da narrativa, o tempo que não esta fora do tempo, mas que se
experimenta como um exterior, sob a forma de um espaço, esse espaço imaginário
onde a arte encontra e dispõe seus recursos.
1. Trata-se,
naturalmente, para Proust e na linguagem de Proust , de um fato psicológico, de
uma sensação, como ele diz.
terça-feira, 19 de abril de 2011
terça-feira, 27 de julho de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Forte Apache
Deitei no banco de madeira próximo ao chão e a meia-distância das vozes só para me acomodar naquela praça que era mais minha que as outras , ali onde o cerrado assaz me habitava quando os dias se iam secos, que assim como aquelas árvores que se alongavam para os subterrâneos, eu também me enfiava para dentro da terra, desenvolvendo meu ser ate encostar com a ponta do dedo no lençol profundo e beber muita água.
.
.
.
.
Quando as nuvens protegiam o olho um vento quente passava entre as copas, coisa que entendiam os braços, quase pausados, sustentando-se cheios de substância viva.
.
.
.
.
Quando as nuvens protegiam o olho um vento quente passava entre as copas, coisa que entendiam os braços, quase pausados, sustentando-se cheios de substância viva.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
estudo sobre os andarilhos falado em manuelez
Quanto tempo o andarilho pode permanecer em suas condições humanas, antes de se adquirir do chão a modo de um sapo?
Antes mesmo de ser apropriado por relentos como os lagartos.
Ate onde o isolamento transforma a relação desse homem com suas chuvas?
Qual será o momento em que esse homem começa a adivinhar?
Antes mesmo de ser apropriado por relentos como os lagartos.
Ate onde o isolamento transforma a relação desse homem com suas chuvas?
Qual será o momento em que esse homem começa a adivinhar?
Subscrever:
Mensagens (Atom)
