terça-feira, 2 de junho de 2009

o sentido de continuidade

Existe o espaço interno (orgânico) e o espaço externo e ainda muitos outros lugares intermediários

e gosto, porque no des-contínuo me dão os olhos amarelos de um felino

na eminência do salto;

pequenas porções de exterioridade que encaixo as tantas,

nos ombros.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

noh

"pisou macio com esperteza gravitacional"

green grass

Passei a tarde a andar com um bilhete entre os dedos por uma caminhada provavelmente eventual; de perto vertical, ate que um topo de morro revelou as curvas de um movimento verde ondulado em abuso de beleza e um céu extenso dilatado, fácil de se sentar e enfiar os olhos bem no fundo daquela presença de efeito atmosférico, que do bilhete dobrado moveram-se palavras em bandos pelo ar ate a linguagem toda revelar o seu lado de fora, palavras-sopro, soltas pendiam fora das normas sintáticas, quando assim uma nova língua nasceu da língua e se acumulou embaixo da minha casca.

terça-feira, 5 de maio de 2009

de algum dia, qualquer dia

Deu-lhe um punhado de palavras que não devagar circularam através dela e se dissolveram onde um baixar de cílios; tal, de tarde entre veículos, e aquilo forte que ele sentia ia nela virando tristeza, de se sentir do tamanho dos seus erros, que os dois, de dois, se iam vivos e à beira se dando as costas estando bem ali.
E querer dizer ela queria, mas podia só um silêncio feroz, ate tudo o que os mantinham perto um do outro perder sua força de evidência.
Veio abrupta aquela distância infinita que de mais em mais ampliava a vontade de chegar muito próximo, depois que uma barbatana se levantou fora da água para quebrar o silêncio, transpondo dentro do gesto no encontro com o mar, a abertura, para depois dormirem muito, de dois numa cama de um.

*
acabou por apoiar-se nos lábios dele, ao lado de uma baleia.

domingo, 26 de abril de 2009

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A árvore modela o vento¨

a quarta pessoa do singular

"E ele é o olho louco da quarta pessoa do singular
da qual ninguém fala
e ele é a voz da quarta pessoa do singular
pela qual ninguém fala
e que todavia existe"

ausente, o céu

Não muito longe, por uma rua, um carro passa onde já vai dia. sabe-se disso por meio de vagos ruídos, que vão de som a som, nítidos, dispersos percorrendo o bifurcar dos caminhos ate atingir este ponto. Não há como saber qual a distância que estamos, ao menos que se pudesse contar os entrepostos. Depois que todos não puderam mais ignorar a tristeza deserta de um céu sempre ausente partiram em retiro restando uma crescida árvore verde onde o pensamento pudesse se perder, posto desarmado, na ponta do gesto e da palavra.

revista inFLUX

quinta-feira, 23 de abril de 2009

on parle

"A literatura só se afirma descobrindo sob as pessoas aparentes a força de um impessoal que não é de modo algum uma generalidade, mas uma singularidade no mais alto grau: um homem, uma mulher, um animal, um ventre, uma criança. A literatura só começa quando nasce em nós uma terceira pessoa que nos despoja do poder de dizer eu".